Hiper Marcela em ação
Foi uma hiper viagem que nem mesmo meu hiper ceticismo conseguiu estragar. Talvez seja coisa de pisciana ateia ou de uma crente que é crente que entende seu próprio frenesi anti-religioso. Sob efeito de incensos, acordei. Na estante, um emaranhado bobo de papel chamou minha atenção. Traduziu minha busca eterna de uma noite com duas palavras. Acordei mesmo? Tem certeza? Comecei a procurar uma resposta para todos os sentimentos do meu eu em alguns minutos. Preciso mesmo ler isso? Esse chumaço vai mesmo me dar a resposta ou eu estou me escondendo atrás de muitas perguntas? Cadê minha Clarice que não está aqui? Cadê a minha verborragia que vai aceitar qualquer romance-bobo-pseudo-não-burguês-para-atender-a-solidão-e-a-angústia-da-classe-média-pós-moderna-e-líquida? Cadê meu Bauman? Cadê meu eu?
Como qualquer boba, aceitei. E não me pareceu uma má ideia não questionar uma leitura pronta que acabara de descrever tudo que eu acho que vi e vivi. Tudo pronto. Pasteurizado, mastigado e real. Na minha frente. Como só um fast-food sabe ser. Mercadológico.
Vinda do oriente ou não, a filosofia tinha acabado de me escolher para ser leitora. Por mais cética que eu queira ser, ainda tenho a ideia de que os livros me escolhem. Fui. Entreguei-me. Acreditei e to feliz com as prontas-respostas que só o livro e eu compartilhamos. Nada vai estragar o que eu vivi. Nada vai entender. Como ninguém nunca vai me entender. Vida que segue feliz. Fui ao céu e voltei. Não quero mais saber de outra vida. O céu não é mais meu limite.
Deixe seu comentário