De minha janela…

Hiper Marcela em ação

Publicado em Uncategorized por Marcela Sayão Prior em abril 27, 2010

Foi uma hiper viagem que nem mesmo meu hiper ceticismo conseguiu estragar. Talvez seja coisa de pisciana ateia ou de uma crente que é crente que entende seu próprio frenesi anti-religioso. Sob efeito de incensos, acordei. Na estante, um emaranhado bobo de papel chamou minha atenção. Traduziu minha busca eterna de uma noite com duas palavras. Acordei mesmo? Tem certeza? Comecei a procurar uma resposta para todos os sentimentos do meu eu em alguns minutos. Preciso mesmo ler isso? Esse chumaço vai mesmo me dar a resposta ou eu estou me escondendo atrás de muitas perguntas? Cadê minha Clarice que não está aqui? Cadê a minha verborragia que vai aceitar qualquer romance-bobo-pseudo-não-burguês-para-atender-a-solidão-e-a-angústia-da-classe-média-pós-moderna-e-líquida? Cadê meu Bauman? Cadê meu eu?

Como qualquer boba, aceitei. E não me pareceu uma má ideia não questionar uma leitura pronta que acabara de descrever tudo que eu acho que vi e vivi. Tudo pronto. Pasteurizado, mastigado e real. Na minha frente. Como só um fast-food sabe ser. Mercadológico.

Vinda do oriente ou não, a filosofia tinha acabado de me escolher para ser leitora. Por mais cética que eu queira ser, ainda tenho a ideia de que os livros me escolhem. Fui. Entreguei-me. Acreditei e to feliz com as prontas-respostas que só o livro e eu compartilhamos. Nada vai estragar o que eu vivi. Nada vai entender. Como ninguém nunca vai me entender. Vida que segue feliz. Fui ao céu e voltei. Não quero mais saber de outra vida. O céu não é mais meu limite.

Ojos verdes

Publicado em Uncategorized por Marcela Sayão Prior em abril 20, 2010

EU sou contadora de histórias. Gosto. E confesso. Por mais que eu tente não maquiar uma história, sempre vejo algumas com uma pitada de humor. E tento imprimir isso nelas quando as conto. Essa não tem humor. Foi só uma viagem romântica. Eu até escrevi no meu livro (sim, sou ridícula a ponto de escrever um livro com memórias minhas para não esquecê-las ou mudá-las demais ao longo do tempo – tendência de todos nós).

Poderia reescrever essa história para dar um outro tom, mas vou catar no meu livrinho para ficar mais fiel… Faço comentários à medida que achar necessário.

 *

Esse rascunho era de 6 de setembro de 2009. Eis que meu pc pifou, devo ter backup dessa história em algum lugar do meu mundo, mas vou recontar.

*

Era uma terça-feira (acho). Eu tinha 22 anos de idade. Barwoman era meu ofício temporário que durou uns bons 8 meses. Sempre maquiada, de brincos e sorriso na cara, justamente nesse dia eu estava esculhambada. E tenho uma teoria de quanto mais mulamba eu estou, mais chamo atenção. Deve ser pq pareço mais esnobe. Não vou encarar ninguém toda mulambenta, ninguém vai me levar a sério.

A festa era de político. Eu, no bar, só ouço uma voz pedindo uma Heineken. Atrás do casco verde, só vi os olhos verdes mais lindos que já amei por alguns segundos. Segundos esses que viraram décadas, séculos e milênios diante da minha figura inerte ao olhar para os olhos verdes mais lindos que de Chico e mais profundos que de qualquer oceano inimaginável. O mundo parou. No bar, os colegas falavam meu nome e eu não ouvia. Silêncio e paz. Contemplação. Por segundos, congelei no vulcão do meu ego. Ele congelou. Paixão à primeira vista. Um amigo o puxou e ele sumiu… Maria Paula (chocada) e o bar inteiro me olhavam. Aquilo não existiu. E existiu.

Uma semana depois ele voltou. Eu estava mulambenta novamente. Como num flashback, a cena se repetiu. Silêncio e paz. Contemplação. Dessa vez, sem dizer uma palavra, beijou minha mão, foi puxado novamente e sumiu.

Na semana seguinte, fui mulambenta na terça sagrada, pensando que era esse o código universal da minha felicidade. Nunca mais o vi. História perfeita para viver, contar e relembrar. Aqueles olhos verdes. Cravados pra sempre na minha lembrança.

A morte bate a sua porta

Publicado em Uncategorized por Marcela Sayão Prior em abril 14, 2010

Primeiro dia de pós.  Todo mundo se conhecendo, falando de suas empresas, pretensões, cases, etc…

Uma das meninas da pós trabalha na Sinaf. Essa mesmo…

Um professor comentou que acompanhou os vendedores da Sinaf, que batiam de porta em porta nos cafundós do Judas (Austin-RJ) para vender o seguro funeral.

Hoje, como também vende outros seguros, a empresa teve muita porta batida na cara (por gente que acha que se trata só de seguro funeral) e teve que mudar a estratégia.

Quando ela soltou que mudaram a abordagem, lembrei logo dos anúncios da Sinaf e veio à minha cabeça uma pessoa vestida de morte (com máscara meio “O Grito”, de Munch) batendo de porta em porta (hoje em dia – nova abordagem).

#megavergonhadosmeuspensamentosbobos

Precisei segurar meu riso sem fundamento e engolir minha viagem tosca.

Prioridades

Publicado em Uncategorized por Marcela Sayão Prior em abril 8, 2010

Veio no meio de uma noite. Embriagada, chamei. Cedi. Conheci e me enturmei. Vivi. Sofri. Mentira real? Senti. Voltei à vida e me lembrei de quem fui.

Honrou a família e fez graça da nossa proximidade.

Não deixou até hoje o samba morrer. E eu me pergunto: pq?

Preciso sempre lembrar o q fiz, quem fui, quem sou e quem quero ser.

Sem coincidências, sem Deus, sem você.

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