Nanofobia
É batata. Quando temos medo de alguma coisa, essa coisa parece que sempre surge na nossa frente.
Mamãe tem um conhecido que tem um medo que nunca vi antes e que resolvi chamar de Nanofobia. Não existe no dicionário. Fato. Ele tem PAVOR de anões. Diz que dá nervoso nele. E, como manda o destino, ele sempre cruza (perseguição?) ou tem situações engraçadas com anões.
A última que eu ouvi foi a seguinte:
Ele caminhava na passarela. Passarela, ao meu ver, é uma coisa que já dá pavor. Medo máximo. Imagino um louco querendo me jogar de lá, alguém se matando, entre outras tragédias…. Ele caminhava e avistou um anão. Começou a passar mal. Passar mal de ter vertigem ou sei lá. Curvou o corpo, baixou a cabeça e ficou quietinho esperando o anão passar. De repente, eis que uma mãozinha surge e alguém pega no braço dele:
- O senhor está bem?
ERA O ANÃO.
Ele, apavorado, branco, pálido, gélido ou sei lá o que mais:
- Tô! Tô sim!!! – já tenso…
E livrou-se assim do rapaz que só queria, coitado, ajudar…
Fica a pergunta: será que mais pessoas têm fobia de anão nesse mundo?
As meninas e as meninas que (quase) dormem
Domingo fomos ao teatro (eu e Marcella). Peça: As meninas.
O que era pra ser um domingo descolado antes do teatro, virou conversa regada à cerva no Plebeu: trabalho, homens, filosofia de vida e tudo que nossa verborragia permitir.
Começa a peça. Meus miolos tendem a achar que estou bêbada. Sono. Bêbada? Sono. Muito sono. Durmo de leve, estilo apagão de trabalhador no ônibus. Vergonha. Bocejo. A plateia ri. Eu acho graça. De uma atriz (única engraçada)e da minha situação. Começo a ter vergonha alheia pela peça. Mensagem. Marcella diz: estou entediada. Saio do teatro e descubro que acabaria em 15 minutos… Tempo demais. Pro meu alívio, Marcella também quer ir embora… antes de acabar o espetáculo.
Acordei ao sair do teatro!
Resumo: não aconselho. Tocou um samba no quase-final e suspiramos…. Mas a peça não tinha acabado. Não vou fazer críticas ao espetáculo. Deu sono, vergonha alheia e a sensação de que se eu estivesse pagando ia ficar muito p da vida…
Esporte fino??
A ocasião era a seguinte: festa de casamento de amigos do papai e da mamãe.
Papai não era dado a ternos. Teve um que usou para casar e outro que usou na maçonaria. Pelo menos que eu lembre. Tinha calça social, blusa social, mas terno não. Não mesmo. Era médico e ia trabalhar todo alinhado, como diria a mãe dele. Calça (com vinco) e blusa de linho. Sapato bonito. No shopping, ia de bermudão e chinelão rider mesmo.
Voltando ao casamento… Minha mãe sempre tinha roupa nova para festas. E sempre roupas lindas.
Quando sai do banho, vê papai vestindo um conjunto de jaqueta e calça jeans. Era um conjunto bonito… Mas não para um casamento.
Ela soltou algo como um “puta que o pariu, Luiz Antonio… blablabla… É esporte fino”…
Papai devolveu: “Esse é meu estilo esporte selvagem”.
Então, tá. E foram para o casamento. Ela… fina. Ele… selvagem.
Loucuras do papai…
Passadas algumas histórias da mamãe, vou relembrar algumas do papai também.
Ele tinha uma mania muito muito feia de enfeitar ou mentir para as crianças. Minha cunhada compara o mundo-fantasia de nossos pais ao filme Big Fish. E é mesmo. Eu chorei pacas… Histórias bem parecidas de quem tinha um pai doido com um grande coração.
Nessa de enfeitar, acho que a melhor história vai ficar para o próximo post. Vou dar exemplos bobos de como papai era:
1 – Mentia na fila de banco dizendo que fazia ballet.
2 – Entretia – de vez em quando – as clientes do consultório tocando violão.
3 – Falava sempre que tinha um presente (OLHA O QUE O PAPAI TROUXE!!!) e, depois da vibração das crianças, soltava um brinde de laboratório ou presentes bizarros como: um quadro, queijo, um copo ou qualquer coisa que não era, definitivamente, um presente, mas nos encantava só por ser novidade.
4 – Tinha um estoque de caixas de sabonetes Francis, lenços e meias para distribuir em comemorações. As velhinhas adoravam e minha mãe sempre tinha que correr na rua porque ele dizia que já tinha comprado o presente da pessoa… Mas… era sempre um Francis…
Assim era. As outras loucuras ficam para amanhã.
Flores de novo…
Não tem mais essa de fim de semana. Outra terça um rapaz vendia flores em Niterói. Rômanticos, façam as malas!!
Papai Noel maconheiro
Quando comecei a descobrir a fotografia, descolei um bico de fotógrafa de Papai Noel em um Shopping da Barra. Não deu tanto dinheiro como eu pensava, mas até que deu pra tirar um bom trocado.
Mas o melhor dessa história toda foi conhecer um Papai Noel (Tabajara, segundo meu irmão mais velho) que assumiu que fumava maconha no interior da casinha (no camarim) feita pra ele em um shopping da Zona Norte do Rio.
Eu o fotografava em um shopping da Barra e ele revezava com outro Papai Noel… Barra / Zona Norte. Na Barra, ele ficava mais irritado com o calor, com as crianças, etc… e não tinha uma casinha… Só uma poltrona vermelha… Ou seja: nada de maconha na cabeça do Noel… Verdade dele ou não… Até hoje eu conto essa história.
Só não entendi porque o bom velhinho resolveu me contar isso. Mas bem imaginei que ele devia ser o Papai Noel mais divertido (só para as crianças) de todo o Rio de Janeiro.
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