Má Marcela
Minha maior maldade na vida foi com uma pobre menina pobre. A culpa hoje tem um tom mais humorado mas confesso que nunca me orgulhei disto. Outro dia me peguei pensando na história. Estava eu reparando na maldade das crianças e lembrando como os nossos pais conseguem podar todas as nossas idiotices, egotrips, medos e até mesmo vontades. Educação é um pouco assim. Fui criada muito solta, mas sempre tive respeito pelo outro… Ou tinha… até este dia.
Era uma bela tarde de um dia qualquer. Provavelmente de fim de semana. O pai da Maria (nome fictício), porteiro do prédio ao lado, veio me chamar para brincar com a filha dele. Ela era menor que eu e totalmente desinteressante. Minhas brincadeiras eram bem lúdicas e pautadas pela minha loucurinha de criança. Eu sempre gostei de pessoas tão imaginativas quanto e nunca tinha sentido ojeriza por algum amiguinho. Até que Maria apareceu na minha vida.
Em tese, crianças mais novas tendem à imaginação. Maria era tão séria quanto a realidade dela. E por toda a vida carregou uma sobriedade que fez minha culpa sumir aos poucos.
Vamos à história, que é tão curta que mereceu um corpo de cera (viva Madame!). Estávamos brincando de qualquer coisa e eu, já irritada, insisti que queria brincar de pique esconde. Ameacei ir embora para convencer Maria a entrar no meu jogo. Eu já estava arquitetando toda a maldade na cabeça… Maria foi contar. Ficou dias, meses sem me achar… Na primeira oportunidade que tive, me mandei dali. Ela era chata, não queria me deixar ir embora e vi no pique minha chance de ouro de sair de vez da vida dela. Foi amizade de um dia. Seguida por uma mentira esfarrapada que tinha que voltar pra casa e ela estava demorado demais pra me achar, não a achei e fui embora. Shame on me.
Vi Maria anos ou meses depois. Ela era um serzinho bem bicho-do-mato (eu também sempre fui) e continuou assim a vida toda. O irmão dela, amigo do meu irmão, era o oposto dela. E o pai era uma pessoa interessantíssima de se conversar. Não lembro até hoje o nome da criatura. Optei por Maria.
Não estou falando com você.
Não, não é um post pessoal. É um post para ninguém, como sempre. É um texto para aliviar o que calo por educação mas, claro, faz em mim um calo, não vocal como aquele que não me deixa cantar, até porque a vida é uma grande melodia minha, mas um duro batido, feio, mais-do-mesmo. E se todo mundo gritasse? E se todo mundo buzinasse? E se todo mundo se indignasse? E se a educação não morasse mais em todos nós? Declaro guerra – certa de que este é um calar opcional. Para fora fica somente meu pensamento destilado. Dentro, vou filtrar e deixar escoar em palavras que só eu leio. Type Type. Não faz meu tipo gritar. E ponto.
A base da obra
Meninos, eu vi! Ontem na Senador Vergueiro o rapaz da obra acendeu um baseadinho para continuar numa relax o seu trabalho. Eram aproximadamente 13h.
Fobia de anão – parte mil
Qual a utilidade desse blog? O que antes era apenas um canal para minha verborragia agora se apagou. Continuo escrevendo, mas tenho vergonha de publicar tudo aquilo que sai de mim. Minha loucura não precisa ser compartilhada sempre. Decidi, então, que para deixar mais decente minha relação com as poucas pessoas que leem o blog, vou procurar um psi.
Preciso entrevistar um (ou uma) para tentar ajudar as pessoas que ”gugam” fobia de anão. Meu blog é lido somente por essas pessoas. Fato. Por isso, está na hora de dar uma resposta decente. O que era pra ser uma história do mundo tomou novos rumos e sinto que preciso fazer isso.
Trato feito.
Psi quê?
Já não sei quanto tempo tem que comecei a terapia. Antes, considerava o bar e a família como grandes válvulas de escape para os meus monstrinhos. Meus hobbies sanavam minha ansiedade latente e como hoje me dedico mais ao meu crescimento profissional (em tese), esqueço um pouco de mim.
Fiz um pacto de amor comigo mesma. Com minha vida, com meu corpo. A partir de amanhã começa minha jornada. Minha mais nova empreitada para arejar e ocupar minha já ocupada e sedenta mente.
Ia falar sobre terapia, sobre como não só na terapia eu construo ideias e novos conceitos, mas esse foi o texto que saiu. E assim ficará. Fui.
Silêncio, por favor.
Esqueço de mim. Calo-me diante da minha inquietude e deixo cada pedaço de tristeza me esfaquear todos os dias. Falo diante da surdez. O mundo não vê a minha voz. Meu timbre silenciou. Minhas cordas derreteram. Queria voltar a escrever, mas a minha falsa felicidade me preenche. O mundo que crio se desfaz a cada questão que invento. Tudo poderia ser mais fácil se o mundo enxergasse a minha voz.
Eles não ouviram porque não quiseram ouvir. Eles estão surdos.
Minhocas de minha oca cachola…
Que ego feio é esse que mesmo alimentado precisa de sobras e restos? Que ser que se basta é esse que precisa de atenção toda hora? Que insegurança é essa dessa fortaleza de certezas, opiniões e conselhos? Peco. Não nego. Mas não entendo as bobas necessidades do meu ego.
O amor é como um pássaro rebelde?
Não calo, Callas. Não-carma, Carmen. Calma. Tudo a nosso tempo. Assim deve ser. Mulheres com seus hormônios surtam. Eu acho que meu relógio biológico não funciona… até a solidão gritar, a cultura do mundo entrar e me perturbar. Não passei por isso. Mas a imunidade talvez surja da falta de tempo, do excesso de cerveja e da companhia de amigos.
Detesto perceber o que provavelmente meu ego conseguiu por um tempo maquiar. Consegui conquistar. E agora, José? Q ego vai me massagear?
Hiper Marcela em ação
Foi uma hiper viagem que nem mesmo meu hiper ceticismo conseguiu estragar. Talvez seja coisa de pisciana ateia ou de uma crente que é crente que entende seu próprio frenesi anti-religioso. Sob efeito de incensos, acordei. Na estante, um emaranhado bobo de papel chamou minha atenção. Traduziu minha busca eterna de uma noite com duas palavras. Acordei mesmo? Tem certeza? Comecei a procurar uma resposta para todos os sentimentos do meu eu em alguns minutos. Preciso mesmo ler isso? Esse chumaço vai mesmo me dar a resposta ou eu estou me escondendo atrás de muitas perguntas? Cadê minha Clarice que não está aqui? Cadê a minha verborragia que vai aceitar qualquer romance-bobo-pseudo-não-burguês-para-atender-a-solidão-e-a-angústia-da-classe-média-pós-moderna-e-líquida? Cadê meu Bauman? Cadê meu eu?
Como qualquer boba, aceitei. E não me pareceu uma má ideia não questionar uma leitura pronta que acabara de descrever tudo que eu acho que vi e vivi. Tudo pronto. Pasteurizado, mastigado e real. Na minha frente. Como só um fast-food sabe ser. Mercadológico.
Vinda do oriente ou não, a filosofia tinha acabado de me escolher para ser leitora. Por mais cética que eu queira ser, ainda tenho a ideia de que os livros me escolhem. Fui. Entreguei-me. Acreditei e to feliz com as prontas-respostas que só o livro e eu compartilhamos. Nada vai estragar o que eu vivi. Nada vai entender. Como ninguém nunca vai me entender. Vida que segue feliz. Fui ao céu e voltei. Não quero mais saber de outra vida. O céu não é mais meu limite.
Ojos verdes
EU sou contadora de histórias. Gosto. E confesso. Por mais que eu tente não maquiar uma história, sempre vejo algumas com uma pitada de humor. E tento imprimir isso nelas quando as conto. Essa não tem humor. Foi só uma viagem romântica. Eu até escrevi no meu livro (sim, sou ridícula a ponto de escrever um livro com memórias minhas para não esquecê-las ou mudá-las demais ao longo do tempo – tendência de todos nós).
Poderia reescrever essa história para dar um outro tom, mas vou catar no meu livrinho para ficar mais fiel… Faço comentários à medida que achar necessário.
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Esse rascunho era de 6 de setembro de 2009. Eis que meu pc pifou, devo ter backup dessa história em algum lugar do meu mundo, mas vou recontar.
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Era uma terça-feira (acho). Eu tinha 22 anos de idade. Barwoman era meu ofício temporário que durou uns bons 8 meses. Sempre maquiada, de brincos e sorriso na cara, justamente nesse dia eu estava esculhambada. E tenho uma teoria de quanto mais mulamba eu estou, mais chamo atenção. Deve ser pq pareço mais esnobe. Não vou encarar ninguém toda mulambenta, ninguém vai me levar a sério.
A festa era de político. Eu, no bar, só ouço uma voz pedindo uma Heineken. Atrás do casco verde, só vi os olhos verdes mais lindos que já amei por alguns segundos. Segundos esses que viraram décadas, séculos e milênios diante da minha figura inerte ao olhar para os olhos verdes mais lindos que de Chico e mais profundos que de qualquer oceano inimaginável. O mundo parou. No bar, os colegas falavam meu nome e eu não ouvia. Silêncio e paz. Contemplação. Por segundos, congelei no vulcão do meu ego. Ele congelou. Paixão à primeira vista. Um amigo o puxou e ele sumiu… Maria Paula (chocada) e o bar inteiro me olhavam. Aquilo não existiu. E existiu.
Uma semana depois ele voltou. Eu estava mulambenta novamente. Como num flashback, a cena se repetiu. Silêncio e paz. Contemplação. Dessa vez, sem dizer uma palavra, beijou minha mão, foi puxado novamente e sumiu.
Na semana seguinte, fui mulambenta na terça sagrada, pensando que era esse o código universal da minha felicidade. Nunca mais o vi. História perfeita para viver, contar e relembrar. Aqueles olhos verdes. Cravados pra sempre na minha lembrança.
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